Do contador de histórias e escritor da periferia. – Craque Kiko.
Membro da ALVI – Academia de letras do Vale do Iguaçu.
Ah! Os cabelos teimaram em fugir. As dores inerentes a data de nascimento avançada, não escolheram os dias para marcarem presença. Pensou-se em atirar os panos, ELE não deixou, amparou. O Sol quando se mostrou ajudou à vida e castigou a pele na lida, foi embora apressado num horizonte que se perde. Os muitos pingos da chuva vieram, refrescaram, e não só molharam as plantas, também, cobriram lares. O vento quando marcou presença não só buliu pouco e nem cochichou suave ao pé do ouvido, levou tudo no peito. Muitos ficaram sem o teto, alguns ficaram sem nada. Dizem, é a vingança da natureza, pois a vida já não corre calma. Disso tudo, sobressaiu-se a solidariedade.
Os dias ganharam em correria, passam num piscar das vistas. Quando se olha, passou a hora, passou o dia, se foi o mês e terminou o ano, e as árvores cada vez mais, deixam de estar em pé. E, para poucos, quando se dão conta, o que ainda está restando, de fato, aqui no Sul, é o chiado de uma chaleira fervendo sobre o fogo a lenha, e como regalia, porque ainda se pode entornar, o gole de um moca passado na hora. Cada vez mais, os simples estão se contentando com menos.
Para muitos, as metas não foram todas cumpridas. Alguns nem tentaram. Eu tentei. Tive um certo privilégio, aos trancos e barrancos e amparado pelas MÃOS, cumpri duas, cheguei ao Natal embarcado na vida e viajando na leitura. Sentindo o cheiro do papel, folha por folha, quarenta livros folheei e tive entendimento neste 2025. O último a ser “devorado”, Sangue Suor e Lágrimas, de Winston S. Churchill, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura no ano de 1953.
Neste sagrado dia de Natal, digo com certeza absoluta, ah! como valeram a pena as peleias deste ano, que me testaram de várias maneiras. Mesmo que em dias, só com a “capa da gaita”, orei para que o dia terminasse logo e amanhecesse outro. Como muitos, ainda estou por aqui, sobrevivi como um Silva. Sou só gratidão ao Papai do Céu.
Feliz Natal para todos, para os que viveram e para os que sobreviveram.





