UM FINAL DE TARDE NÃO ESPERADO

UM FINAL DE TARDE NÃO ESPERADO

Do contador de histórias e escritor da periferia – Craque Kiko.

Membro da ALVI – Academia de Letras do Vale do Iguaçu.

Sentados em cadeiras de palha na frente à firma de um amigo, naquela sexta-feira, ainda que estivessem na sombra, o calor afetava até a alma daqueles três viventes. Mesmo assim, a prosa era boa e divertida, afinal, há vários meses que eles não se encontravam. Ao redor dali, as pombas vinham e iam, voavam daqui para lá e de lá para cá, uma após outra.

Olhando aquelas aves, um daqueles viventes lembrou do seu amigo que recentemente tinha finado por um problema de pulmão. Após exames ficou constatado que era uma doença adquirida das pombas. Lembrando aquilo, uma raiva se apossou do seu ser. Levantou da cadeira e apanhou uma das muitas pedras por ali e atirou naquele bando de pombas. A pedra ricocheteou no asfalto e atingiu o para-brisa de um fusca que passava naquele exato momento. Ouviu-se o estalo do para-brisa quebrado. O carro foi freado e parou na hora. O vidro do lado do motorista abaixou. Com o braço esticado ele apontou uma arma de fogo e dois estampidos foram ouvidos. As balas acertaram a parede da firma. Dois daqueles viventes picaram a mula. O arremessador da pedra se pinchou porta adentro da firma.

Bombiando por uma fresta ele viu que o motorista atirador tinha guardado o revólver. Então, ficando macho da Silva, gritou para o motorista aquele famoso palavrão que filho nenhum gosta que sua mãe seja chamada. Também, além de alcunhá-lo de “bosta pura”, gritava em alto bom tom, para que ele saísse de dentro daquela lata velha e viesse para uma luta corpo a corpo. Afirmou, que entortaria o cano daquele caga-fogo no seu orifício anal. Só deu tempo de escutar o barulho da porta do fusca se abrindo e ver saindo um fulano do tamanho do lutador Maguila, que tentava atravessar a rua na correria. Nisso, rápido, parecendo um raio, naquele momento passava um opalão bordô, que de frente, atropelou o motorista do fusca. Ao cair no asfalto, ele já tinha partido da vida terrena.

Com a cueca borrada, tremendo, já antevendo o desfecho daquela enorme cagada, o arremessador da pedra, com as vistas como se tivessem perdidas, ao longe, parecia contemplar as malditas pombas, que continuavam indo e vindo…

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