Os pepinos para a Pantera Azul Dourada deveriam ser os de sempre. Relvado ruim, chuva de torneira na véspera e machucadura em alguns boleiros chaves. Só que agora, acrescidos, porque as águas do Rio já mais elevadas estavam começando a tomar a avenida dos fundos rondando o palco do prélio.
Também, o esquadrão visitante estava em ascensão, pois nos últimos quatro cotejos deixou seus contrários na lona. Viria com tudo, principalmente por ter conseguido triunfos nas duas últimas contendas das quartas de final, e somando a pontuação de todo o certame conseguira reverter o mando, enquanto o quadro iguaçuano ficou somente em duas igualdades. Ah! Mais um detalhe, os antagonistas também caíram no ano anterior e não sentiram gosto nenhum pela terceira divisão, portanto, deveriam vir para União da Vitória com sangue nas vistas.
O torcedor sabe que não temos craques do arco à extrema esquerda e, diante dos obstáculos, só com a superação, com o coração na ponta da chanca e botando a alma pela boca, o intento deveria ficar mais fácil. Deveria passar longe da cachola de cada chutador iguaçuano, que desistir sequer de um lance estava fora de cogitação. Com a becaria se portando como esteve em todo o certame, como a menos vazada, e seus dianteiros emendando bombas constantemente contra as balizas contrária, tudo isso poderia levar o onze iguaçuano para a esperada vitória, e a certeza seria uma só, a torcida vibraria no Antiocho Pereira.
Um triunfo em seu reduto era um grande passo à final e ao acesso quase garantido. Talvez! Tendo como garantia que o cotejo seria mediado por um apitador CBF desse uma tranquilidade aos dois quadros para pelearem bonito. Era esperar o balão de couro rolar para espiar. Mas, como tem coisas inesperadas no futebol, surgiu no Antiocho Pereira um tal de “Cambará”.
Mal começa a contenda os visitantes foram para cima. De início parecia que o esquadrão do PSTC era o dono da casa. Atuando com as linhas avançadas, pressionava. Aos poucos o onze do Iguaçu foi se organizando e equilibrou as ações, passando a ter a maior posse de bola e perigando a meta visitante. Tanto é, que aos 41 minutos a becaria de miolo de área do PSTC bateu cabeça. O dianteiro iguaçuano, João Rhyan, recebendo um passe açucarado ficou nas barbas do golquíper de Alvorada do Sul e arrematou no canto baixo direito, mexendo pela primeira vez na contagem. 1 a 0 para a Pantera Azul Dourada. Marcador que permaneceu até o apito final da primeira metade.
No início da etapa derradeira só dava a Pantera Azul Dourada, que dominava completamente o prélio. Aos 11 minutos, começou a dor de cabeça do quadro e dos torcedores iguaçuanos. Com uma bola roubada no setor de criação, o extrema esquerda do PSTC, o tal de Cambará, deu uma arrancada à linha de fundo, e em uma estocada rápida entrou em diagonal com o balão dominado na grande área iguaçuana. O becão, Paulão, saiu na cobertura e ficou naquele conhecido e famoso “cerca lourenço” dando espaço e tempo para que o extrema atirasse. O balão teve como destino o canto baixo esquerdo do guardião Lucas Bento, que mesmo se pinchando todo, não conseguiu evitar que sua rede fosse esticada, mas é bom que se diga, ele já catou bolas mais difíceis que essa finalização rasteira. Talvez a inesperada bola venenosa o pegou de calças nas mãos. De forma alguma podemos chamá-lo de enterra time. Ele tem muito crédito, mas estava decretada a igualdade, 1 a 1.
Quando eram decorridos 23 minutos, em um lance tramado com uma triangulação central, novamente o endiabrado Cambará continuava pintando o caramujo. Foi lançado e na corrida se viu de focinho com o guarda-redes iguaçuano. Levantou a fachada, ajeitou o coro no terreno, vislumbrou o lance, bateu no canto baixo direto. Caía pela segunda vez a cidadela iguaçuana. De virada, 2 a 1 para o PSTC. Existe o questionamento do tento, pois um dianteiro do PSTC que estava na banheira atrapalhou a becaria iguaçuana. O apitador interpretou que não.
Embora o Iguaçu tenha sido melhor dentro do relvado, com mais posse do balão de couro, a turma do PSTC foi mais eficiente. O escore final ficou em 2 tentos a 1 para o PSTC.
No cotejo de volta, marcado para o próximo sábado em Alvorada do Sul, o esquadrão do PSTC peleará por uma igualdade no placar, que lhe garantirá o aceso e lhe dará chance de disputar o título da Terceirona 2026. Mas, como diz um velho jargão desde quando o futebol era ainda virgem, que ele é uma caixinha de surpresas, tudo pode acontecer, é só não jogar os panos antecipadamente. E, como o tal chutador Cambará só faltou fazer chover nesta tarde, quem sabe um chutador iguaçuano protagonize uma chuva de tentos no Norte paranaense.
Ficha técnica da porfia
Associação Atlética Iguaçu 1 x 2 PSTC – Paraná Soccer Technical Center.
Estádio Municipal Antiocho Pereira – 20/09/2026 – 15:30 horas.
Apitador – Robson Babinski – Auxiliado pelos bandeirinhas Leandro Polli Glugoski e João Fábio Machado Brischiliari.
Público e renda: 1.630 torcedores. R$ 45.300,00.
Tentos – João Ryan (41’1°) para o Iguaçu. Gabriel Adão Silva Cambará (11’2° e 23’2°).
Cartões amarelos – George Allan Trindade Fonseca Alanzinho, João Rhyan da Silva Nascimento João Rhyan e Kaleu Guilherme Oliveira da Silva Kaleu, todos do Iguaçu.
Do PSTC – Lucas Agostinho Salvador.
Porfiou a Pantera Azul Dourada: Lucas Bento, George Allan Trindade Fonseca Alanzinho, Luís Paulo da Silva Paulão ©, Mateus Gustavo de Lima dos Santos Lima, Nivaldo Gabriel Chaves Ferreira Miranda (Bruno Miguel Ribeiro Bruno), Brayan Fernando de Lima Chaves Brayan, Rafael Alves da Silva Rafael (Kaleu Guilherme de Oliveira da Silva Kaleu), Adão Reis da Silva Adãozinho, João Rhyan da Silva Nascimento João Rhyan (Adrian Costa da Silva Muniz Adrian), Venâncio de Araújo Silva Araújo (Deivisson Vidal dos Santos Deivisson) e Kailan dos Santos Costa Kaylan (Irapuan dos Santos Lima Junior Irapuan). Treinador – Luiz Henrique Tosta.
Peleou o PSTC: Pedro Henrique Mendes Moreira, Gilberto Junior Nascimento Silva, José Pedro Oliveira Ranieri, Felipe Menezes Marques, David Samuel Kochem (Miguel Luiz Arcanjo Rodrigues Marcondes), João Pedro Silva Francisco ©, Cauã Miguel Machado da Silva (Adrian Cesar Rodrigues), Adriel Lopes da Silva (Thiery Alves Gomes), Lucas Agostinho Salvador (Luís Henrique da Silva Santos), Diogo Henrique dos Santos Pinto e Gabriel Adão Silva Cambará. Treinador – Cidimar Aparecido











